RESUMO
Este artigo de revisão apresenta as ideias, problemáticas e possíveis soluções em torno da aplicação de tecnologia da informação, assim como ferramenta didática, no âmbito educacional brasileiro. As ideias aqui apresentadas baseiam-se em dois artigos científicos dos autores Márcio de Araújo Benedito/Márcia Cristina Moraes** e Elisa Wolynec***.
Palavras-chave: Tecnologia da Informação. Ensino Multimídia. Educação Inclusiva.
1 INTRODUÇÃO
No Brasil, já existem projetos em andamento sobre a implantação do sistema de tecnologia da informação, tanto como ferramenta de trabalho como disciplina de ensino, e sua aplicação na rede pública de ensino.
Um dos exemplos é o projeto da Prefeitura de Belo Horizonte que pretende, mais que informatizar as salas de aula, capacitar os alunos pela educação inclusiva e prepará-los de fato para o mercado de trabalho. (BENEDITO e MORAES, 2006).
Além de informatizar as salas e criar um ambiente de estudo mais amplo e multimídia, esta educação inclusiva necessita de treinamento e capacitação para os docentes. Enquanto as empresas investem pesado em transformar as ferramentas de trabalho e aperfeiçoar a produção, as escolas ainda não conseguem acompanhar o avanço por precisar de maior investimento financeiro, por parte do governo. E, quando alcança o nível tecnológico do mercado não há bons executores para manipulá-lo da forma mais adequada e produtiva.
Por isso, o Brasil possui escolas avançadas que tentam acompanhar esta necessidade, mas ainda é a minoria. Outra tendência é a inclusão de uma disciplina de Tecnologia da Informação para que supra os anseios do mercado em mão de obra especializada e apta aos recursos tecnológicos.
Além disso, incluir ferramentas desse nível ainda é um problema. Como afirma Elisa Wolynec (2008, p.1), “na verdade, a principal razão é que o corpo docente goza de ampla autonomia e seus integrantes possuem diferentes níveis de habilidades técnicas e diferentes níveis de interesse na tecnologia. A grande variedade de disciplinas faz com que não haja uma forma simples de integrar a tecnologia da informação ao currículo. A receita não é única”.
2 O GRANDE DESAFIO DA TI NAS SALAS DE AULA
A distância entre a capacidade do corpo docente com sua infraestrutura tecnológica à educação inclusiva é ainda tão grande que os alunos se diferem uns dos outros. Aquele que possui acesso ao mundo virtual de casa, se torna mais apto quando se integra à empresa do que aquele que só obteve contato nos horários de uso do laboratório de informática da escola.
Para diminuir as deficiências, seria ideal que as escolas se adequassem com salas de aula equipadas à rede sem fio e que cada aluno possuísse seu próprio computador portátil. Assim, uso do “Personal Computer” (PC) chegaria ao alto nível de aproveitamento e a facilidade ao mundo virtual se torna um apoio pedagógico.
Várias escolas, que se integraram a este sistema, já incluem o preço do computador nas taxas anuais dos alunos. Assim como os alojamentos de estudantes que já possuem conexão com a rede da instituição. Quando todos os alunos possuem o mesmo tipo de ferramenta é mais fácil manter nivelado o aprendizado e a capacitação.
Porém, “o grande desafio está em treinar professores que tiveram sua formação profissional quando estas ferramentas não estavam disponíveis. Muitos erros foram cometidos nos investimentos em treinamento. Muitos verificaram que os docentes não compareciam aos cursos organizados para tal fim”. (WOLYNEC, 2008, p.2).
Por isso, é possível que em breve o corpo de docentes comece a receber profissionais mais integrados aos avanços tecnológicos por se tratar da nova geração. Isso talvez não demore muito, pois os jovens atuais ultrapassam barreiras da dificuldade e se integram em redes sociais em computadores coletivos.
3 EDUCAÇÃO INCLUSIVA E RESULTADOS
Escolas particulares possuem autonomia e o incentivo da concorrência para se adequarem às necessidades. Mas quando se trata de escolas do governo, a evolução no ensino depende de força política e de interesses cruzados, entre a necessidade e a relevância para o estado ou município.
Em Belo Horizonte, a implantação ocorreu por uma iniciativa da Secretaria de Administração “de enviar para todas as escolas um conjunto de equipamentos de informática e a instalação de infraestrutura de rede e de comunicação de dados” e dar suporte a uma grande operação que foi montada a partir de 2002. Este suporte foi necessário a implantação em 182 escolas de Belo Horizonte e um total superior a três mil equipamentos. (BENEDITO E MORAES, 2006, p. 10).
Para a execução, é necessário inserir o corpo docente nesta nova realidade e aproximar o plano de aulas e o conteúdo programático ao aluno, pela internet/intranet. A internet é uma ótima opção de estender a sala de aula aos alunos mais interessados.
Hoje, a maioria das faculdades possui a página do aluno na internet, mas as escolas municipais ainda encontram dificuldades em manter esta conexão, pois quando uma escola implanta, todas da mesma rede necessitam se adequar, o que gera muitos gastos ao poder público. Apesar da necessidade, o governo nem sempre prioriza os investimentos nesta área.
4 ATRASO NA IMPLANTAÇÃO: DESVANTAGENS E VANTAGENS
O Brasil, em termos gerais, está atrasado e muitos estados ainda não sabem como e quando irão se adequar à nova realidade do mercado de trabalho. A desvantagem é o atraso também na capacitação de mão de obra e a possível importação de inteligência quando as empresas não encontram aqui pessoal gabaritado para trabalhar com elas.
Além disso, a alfabetização virtual propõe novos caminhos profissionais e tornam o profissional mais autônomo. Hoje existem muitas profissões graças à tecnologia da informação. Não há necessidade de recorrer às bibliotecas longes, ou aos profissionais mais experientes, pois todo o tipo de conhecimento e inovações está compartilhado na internet.
Assim, os que possuem condições de se conectar a esta realidade em casa, ultrapassam barreiras que muitos ainda não conseguiram por falta de recursos. Quando a escola proporciona o acesso ilimitado e “gratuito”, os alunos crescem junto à escola e começam a se igualar em termos de conhecimento e preparo para a educação inclusiva.
A vantagem no atraso é que se pode usar métodos já testados e escolher o que mais se adéqua a realidade daquela instituição. (BENEDITO E MORAES, 2006, p. 29). Assim, há menor possibilidade de prejuízos com investimento em sistemas falidos. Em relação à infraestrutura é uma qeustão de recursos investidos e resultado imediato. Já a capacitação dos profissionais, demanda tempo além de recursos.
Porém, quando há interesse por parte dos próprios profissionais, “é possível ensiná-los a criar cursos virtuais que devem ser usados, no início, para complementar o ensino tradicional, através da Intranet da instituição.
Eles vão se familiarizar com as práticas de vídeo conferência, colaboração em grupo, “chats”, organização de grupos de trabalho com reuniões periódicas e até a transformar apresentações de Power Point em vídeos com som, que podem reproduzir aulas e podem ser disponibilizados na Web”. (WOLYNEC, 2008, p.3).
Essa mudança iria propor novos conceitos em sala de aula e ensino. A Educação Inclusiva traz aos alunos um ambiente de acesso ilimitado ao conhecimento e propõe uma fonte de consulta a qualquer momento do dia.
Além de incluir o computador como material didático obrigatório e ajudar o financiamento dos mesmos pelos alunos, a inserção do celular ao mundo virtual também possibilita que os alunos sejam 100% conectados à sua rede de ensino, tornando esta uma nova escola.
Esta parceria pode propor uma nova relação entre corpo dicente e corpo docente, tornando o ensino mais atraente aos alunos. “Uma vez dominadas essas tecnologias, não há limite para o que o talento da comunidade acadêmica pode produzir”. (WOLYNEC, 2008, p.5).
5 CONCLUSÃO
O uso da Tecnologia da Informação e sua implantação como principal ferramenta de ensino ainda não é o ideal no Brasil, mas já existem instituições preocupadas com isso. Enquanto escolas particulares tentam se adequar ao nível de capacitação exigida pelas empresas, algumas instituições públicas investem nisso há algum tempo, como a rede municipal de ensino de Belo Horizonte.
Porém, existem diversos processos até chegar num ambiente ideal de inclusão. Não basta equipar as escolas com computadores e laboratórios de informática. Elas necessitam se capacitar e utilizar-se destes equipamentos com propriedade, para que alcancem a Educação inclusiva.
Assim como os alunos devem aprender a dominar estas ferramentas, os professores precisam incluí-las como suporte operacional de ensino. A maior dificuldade é levar estes profissionais ao ápice do aproveitamento tecnológico quando estes não tiveram o acesso do mesmo no período de formação. Por isso, há uma certa urgência em mudar esta realidade para que os próximos profissionais já tenham esta capacitação aprimorada e aplicada em seu período escolar.
Os avanços em outros países ou outras regiões permitem aos atrasados que adquiram sistemas já testados e processos que obtiveram sucesso, diminuindo os riscos de prejuízo e de atraso na implantação do novo sistema 100% virtual e tecnológico de ensino.
REFERÊNCIAS
WOLYNEC, Elisa. O uso da Tecnologia da Informação no Ensino. São Paulo: Techne, 2008.
BENEDITO, Márcio; MORAIS, Márcia. A Tecnologia da Informação nas Escolas da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte. São Paulo: Anal do XXVI Congresso da SBC, 2006.